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ALTA DE PREÇOS IMPACTA NO ORÇAMENTO FAMILIAR

A queda da renda das famílias e o aumento do desemprego gerados pela crise vinculada à pandemia de Covid-19 no País têm levado os brasileiros a enfrentarem com maior dificuldade a alta de preços de produtos e serviços essenciais. E a pressão inflacionária é maior nas classes de rendas mais baixas.

“O poder de compra do salário-mínimo em relação à cesta básica é o pior dos últimos 15 anos”, destaca a economista do Dieese/RS, Daniela Santi. Segundo ela, quem vive com até dois salários-mínimos “nem de longe” conseguem acompanhar a alta dos preços. A perda do poder de compra é enorme e causou uma piora nas condições de vida d maior parte da população “, alerta.

Com o orçamento cada vez mais apertado, as famílias mais pobres estão tendo que parar de consumir alguns itens não só da alimentação, mas também de uso doméstico, destaca a economista e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andréia Parente Lameiras. Ela lembra que alta da inflação que começou em 2020 puxada pelos alimentos da cesta básica, no início da pandemia, hoje é impulsionada pela crise hídrica, que encarece a energia elétrica.

“Locais que oferecem serviços cujo custo de luz encareceu, como salões de beleza   e os supermercados, passaram a repassar esse aumento da conta para o consumidor”, observa a economista do Ipea. Segundo levantamento realizado pelo Instituto em agosto, enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa e de renda baixa apontou altas de 0,91%, a das famílias de classe superior apresentou variação mais amena (0,78%). Desde janeiro, os núcleos de pessoas de renda baixa são os que apresentam as maiores taxas de inflação (5,9%). Já no acumulado em 12 meses, a inflação das famílias de renda muito baixa (10,6%) segue acima da registrada pela classe de renda alta (8%).

“A classe de renda mais baixa, que é muito afetada pela alta no valor da energia elétrica, também é impactada pelo preço do gás de cozinha, a ponto de muita gente estar utilizando fogão a lenha”, observa Maria Andréia. A economista afirma que estas são as mesmas pessoas que já deixaram de consumir proteína, eliminando carnes vermelha ou branca e ovos de cardápio alimentar. “Além de trocar o botijão de gás pela lenha por falta de recursos, muita gente está precisando substituir o jantar por um lanche, que muitas vezes não tem o valor nutricional necessário”, pontua.

Segundo o IBGE, o gás de cozinha encerrou 2020 com alta de 9,2%. Isso representa mais o que o dobro da inflação de 4,5% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrada no ano passado. Já os números do Dieese/RS apontam que o botijão de 13kg registrou alta de 26,9% de agosto de 2020 para agosto de 2021. Quando a conta chega na classe média, ainda há os gastos com aluguel, condomínio, mensalidade escolar, plano de saúde e serviços de comunicação, que, inflacionados, também pesam no orçamento.

Este peso, que começou centrado nos alimentos, passou para a conta de luz e de combustível e hoje está espalhando em vários segmentos não foi acompanhado do reajuste de salários. “Ao contrário das mais pobres, no caso da classe média, as famílias não chegam a cortar itens essenciais, mas passam a consumir marcas, produtos e serviços mais baratos, cortando apenas o que for supérfluo”, compara Maria Andréia. “Já a classe alta não chega a sentir o impacto da inflação.

Fonte: Jornal do Comércio

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